Determinação e sensibilidade de uma líder

Marilu Aparecida Izilda Orem, de 48 anos, trabalha na Levorin, em Guarulhos, desde 1983 e, em entrevista a O Borracheiro, fala sobre os desafios enfrentados para alcançar um posto de liderança na empresa. Segundo a companheira, a garra é um fator fundamental para quem deseja crescer profissionalmente. “Somos capazes de sermos independentes sem perdermos nossa essência e sensibilidade”, lembra Marilu.

Quando você começou a trabalhar no setor?

Dei inicio em minha trajetória em 1983 na Industrial Levorin. Na época, por ser menor de idade, iniciei como aprendiz. Trabalhei por quatro anos em quase todos os setores da fábrica. Após o aprendizado, fui promovida e passei a fazer parte do administrativo. Desde então, passei por diversos setores, como RH, seleção de pessoal, expedição e suporte ao cliente na parte de transportes. Hoje sou supervisora da expedição de produtos acabados e almoxarifado produtivo e improdutivo.

Como ocorreu a sua entrada no mundo sindical?

Aconteceu quando tive conhecimento que eu poderia me fortalecer, ser uma trabalhadora sindicalizada e contar com apoio de uma entidade que nos representa e nos apoia também em momentos difíceis. Isso, é claro, requer nossa participação. Precisamos lutar juntos por nossos direitos trabalhistas, melhores condições nos benefícios, salários, lazer, etc.

Foi difícil entrar nesse universo masculino?

Não digo que foi difícil e sim um pouco demorado. Exigiu muita paciência, atitude, determinação, postura e garra. No âmbito profissional, meu trabalho e contato durante anos foram desenvolvidos com o sexo masculino, mas por ser mulher, mãe e ter a sensibilidade de contornar situações me tornei uma líder amiga entre meus colegas de trabalho por escolha própria. Sempre disposta a ouvir, compartilhar, ajudar e encarar as dificuldades de frente e sem medo. Ao longo do tempo, devido à espera, dedicação, amor e doação pelo meu trabalho, recebi a oportunidade de me tornar líder de duas equipes compostas pela maioria masculina e me sinto realizada e muito feliz por ser respeitada e fazer parte do universo no qual convivo.

Hoje, as mulheres têm uma vida muito intensa, pois, além do trabalho remunerado, ainda exercem os papéis de mãe, esposa e trabalhadora do lar. Como é encarar esse desafio?

Acho maravilhoso e gratificante, afinal, eu sou muito intensa em tudo o que faço, sou mãe e pai da minha única filha, uma das minhas maiores realizações, além de ser a responsável do meu lar. Sou uma profissional dedicada e amante do que faço. Superei diversos desafios, vivenciei sentimentos de alegria, tristeza e frustrações, que, no final, tornam-se momentos especiais e marcantes em nossas vidas.

Mesmo com os avanços conquistados nas últimas décadas, ainda há muito por se fazer em favor das mulheres no mundo do trabalho. Quais são as melhorias mais urgentes?

O respeito e a confiança de que a mulher, com seus múltiplos papéis, merece ser mais reconhecida nos cargos que requerem liderança.

Apesar de já estarmos em 2017, a violência contra a mulher ainda é alarmante no País. O que podemos fazer para acabarmos com esse problema tão sério?

Assegurar uma punição rigorosa e inafiançável aos autores, independente da violência praticada, seja ela física, sexual, assédio moral, discriminação, abuso verbal, tortura ou assassinato.

Qual é o recado que você gostaria de deixar para as mulheres?

Mulheres, nunca desistam dos seus sonhos! Somos capazes de ser independentes sem a perda de nossa essência e sensibilidade. Temos o poder de influência demonstrando sabedoria no convívio familiar, amizades e no âmbito profissional.